Pode Crê

Como A Coragem Sustenta Amizades Imperfeitas E Reais

Clecio Almeida Season 2 Episode 28

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O que sustenta uma amizade quando o brilho do começo passa e a vida muda de rota? Abrimos o coração para falar de lealdade, coragem e presença emocional, costurando duas histórias que doem e curam: o gesto de Ricardinho, que preferiu perder um jogo a perder um amigo, e a jornada de João e Wilson, feita de sábados simples, uma ausência abrupta e um poema que virou bússola para seguir.

A partir dessas memórias, encaramos a ideia dos “sete anos” não como lei, mas como linguagem para ciclos de mudança que moldam relações. Conversamos sobre como trabalho, estudos, casamento, filhos, crises e mudanças de cidade reposicionam prioridades, e por que isso não precisa significar o fim. A sociologia chama de seleção social: vínculos se mantêm quando há proximidade, objetivos e identidade compartilhada. Quando esses elementos mudam, algumas amizades se transformam, outras se afastam sem mágoa, e algumas raras se tornam de ferro, enferrujam um pouco, mas não quebram.

Trazemos sete práticas práticas para cultivar laços fortes, inspiradas em pesquisas e livros como Modern Friendship e Big Friendship: comunicar com intenção, investir tempo de qualidade, escolher a vulnerabilidade, ajustar expectativas conforme a fase de vida, criar pequenas tradições, apoiar na crise sem tentar consertar tudo e reparar afastamentos com humildade. Falamos sobre presença emocional que celebra conquistas sem inveja, encara conversas difíceis, pede desculpa quando necessário e cuida dos detalhes que, somados, salvam a relação do desgaste silencioso.

Fechamos com um convite direto: lembre de alguém que marcou sua história e faça contato hoje. Uma mensagem simples pode reabrir caminhos e criar novas memórias. Se essa conversa tocou você, siga o podcast, envie para um amigo e deixe sua avaliação; sua partilha ajuda mais pessoas a encontrar abrigo em amizades verdadeiras.

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SPEAKER_00:

Oi, tudo bem pessoal? Sejam bem-vindos a mais um episódio do seu do nosso podcast, o podcast Pode Crer. Hoje eu quero falar sobre amizade, quero falar sobre os verdadeiros amigos, aqueles que ficam ao nosso lado quando estamos errados e nos escapela quando não há ninguém por perto. Quero falar da amizade verdadeira com amigos imperfeitos, pessoas de carne e osso, cheios de defeito, como é peculiar a cada ser humano. Gente que erra, se precipita, mas que te ama, que te chama de amigo, mesmo que os outros se retirem. Esse podcast é cheio de emoção, porque quero falar sobre um dos sentimentos mais lindos da humanidade, a amizade, aqui no seu no nosso podcast. Pode crer. Todos que me conhecem já ouviram falar de um amigo que eu tinha na infância chamado Ricardinho, um amigo que se declarou publicamente ao meu favor. Ele era o maior craque da escola, eu, um lateral direito medíocre. Não fui escolhido para uma partida de futebol. Eu já estava saindo choroso quando o Ricardinho me viu e disse: se ele não jogar, também não jogo. E assim, por livre espontânea pressão, joguei do lado do Ricardinho. Jamais vou esquecer aquela atitude de amizade que ele teve por mim. Eu vi nele alguns requisitos que não podem faltar em um amigo, que não deveria faltar em mim se desejo ser também um amigo de verdade. Coragem. Coragem para compreender que não somos perfeitos, mas, mesmo assim, precisamos afirmar isso em relação àqueles que desejamos como amigos. É preciso ter coragem para ser amigo, porque há uma grande chance de nós decepcionarmos alguém ou de alguém nos decepcionar, por causa da nossa natureza falível, e não estou dizendo aqui, claro, de coisas graves e grosseiras. Estou falando daquelas palavras maldadas que apenas os verdadeiros amigos perdoam. Quero te contar uma história, a história de João Santos, João Santos e seu amigo Wilson. Ele e seu amigo faziam tudo juntos. Eles eram mais do que amigos, eram confidentes e cúmplices. As namoradas dos dois sabiam disso e facilitavam a vida dos dois fazendo atividades sempre juntos. Era muito lindo ver os quatro reunidos, ainda que as meninas não fossem tão amigas quanto os dois. Um dia, Wilson pegou a moto emprestada do pai e sofreu um grave acidente que o deixou paraplégico. Aquele jovem, saudável, cheio de vida, agora estava destinado a ser levado para todos os lados por alguém. Bom, ainda bem que ele tinha uma linda família, e, claro, João, que nunca saíra de perto dele. A namorada de Wilson o deixou. Aliás, esse foi um pedido dele para que ela seguisse a sua vida, já que eram apenas namorados e não havia nenhum compromisso oficial entre os dois. Enfim, ela foi viver a sua vida e Wilson não ficou nem um pouco magoado com isso. Nos fins de semana, no sábado precisamente, João tinha um compromisso com seu amigo, de levá-lo para fazer alguma coisa divertida, alguma coisa diferente, ou alguma coisa usual, mas alguma coisa juntos, como tomar um café, ver o pôr do sol, uma partida de futebol. A família de Wilson sabia que a vida dele era bem melhor por ter João por perto. Ele passava a semana toda se preparando para esse dia, para o sábado, porque sabia que faria algo surpreendente, algo novo. Eles haviam combinado de ir a um show de balonismo que havia anualmente em sua cidade. Wilson passou a semana toda falando desse evento. Como de costume, João, quando chegava na casa de Wilson, batia na janela e gritava Acorda, preguiçoso! A mãe de Wilson procurava deixar o filho sempre pronto antes da chegada do seu amigo. Nesse dia, João estava atrasado, mas isso não era algo novo. Mas dessa vez ele estava muito atrasado. E Wilson pediu à mãe que insistentemente ligasse para o amigo, mas ele não atendia. Algumas horas se passaram, e Wilson já estava conformado com a ideia de que eles não iriam mais a lugar nenhum. Isso nunca havia acontecido antes, e ele esperava que ele voltasse com as melhores desculpas possíveis. A campanha tocou. Não era João. Ele sempre abriu o portão como alguém que era da família. Era a namorada dele. Ela estava chorosa, junto com seu irmão. Disseram alguma coisa na porta, e pela fresta da janela, Wilson viu que era ela. Ele se aproximou e ela disse a ele: Wilson, houve um acidente na fábrica. Duas pessoas morreram. Infelizmente, João era uma das pessoas que havia morrido. Wilson perdeu seu amigo, o amigo que iluminava a sua vida, que não lhe abandonou quando até mesmo ele havia desistido de si. Ele perdeu seu cúmplice, seu irmão, o único que dizia as verdades necessárias para que ele parasse de sentir pena de si. No dia do velório, todos esperavam que Wilson pudesse dizer algumas palavras, e realmente ele disse. Quando alguns pensaram que ele manifestaria autopiedade, mesmo que justamente ele escreveu um poema chamado Eu Quero Ser Um Amigo Assim. Eu quero ser um amigo assim, que não se importa no que vão te oferecer de volta. Eu quero empurrar a cadeira de rodas, ladeira acima, e dizer que aquele é meu único exercício da manhã. Eu quero usar minhas manhãs de sábado em prol do outro, mesmo que eu não esteja nos meus melhores dias. Eu quero plantar sementes que jamais darão frutos a mim, pelo prazer de ver o jardim alheio florescer. Eu quero ser um amigo assim, que fica quando o barulho acaba, quando as palavras faltam e só o silêncio sabe consolar, que jamais sente pena, mas orgulho de ter uma vida, que vê alguém na cadeira de rodas e diz que a alma está livre para sonhar, que o corpo é apenas uma casa provisória. Eu quero ser um amigo assim, assim como João foi para mim, que chegou quando todos saíram, que não me deixou sentir autopiedade. Por causa dele, eu vou seguir mais forte, mais vazio é verdade, mas sem drama. Eu choro a sua partida, espero um dia sorrir, quando lembrar de tudo o que ele foi para mim. Eu quero ser um amigo, assim como o João foi para mim. Fecha aspas. Essa é uma linda história de amizade, que, por mais óbvio que pareça, durou até acabar. Aliás, existe uma teoria sobre duração de amizade. Sabia disso? A ideia de que as amizades duram cerca de sete anos e depois passam por transformações ou se encerram. Não é uma teoria científica, única e formal, mas sim um conceito popular que mistura psicologia, sociologia e teorias de ciclos de vida. Ela costuma aparecer com alguns nomes e bases diferentes. A teoria dos ciclos de sete anos vem da noção que a vida humana se organiza em ciclos de aproximadamente 7 anos, ideia associada de Rudolf Steiner, Antropofosia, que propôs que o ser humano passe por mudanças físicas, emocionais e mentais a cada 7 anos. Aplicadas às amizades, a ideia é que, quando você muda internamente, suas relações também tendem a mudar. Algumas se fortalecem, outras se encerram. A psicologia moderna não afirma sete anos como regra fixa, mas reconhece que mudanças importantes de vida, como trabalho, estudos, casamento, filhos, mudanças de cidades, crises pessoais, costumam ocorrer em intervalo de alguns anos. Essas mudanças alteram valores, rotinas, interesses, impactando a amizade. O número 7 acaba funcionando mais como um símbolo de um ciclo, não como lei científica. A sociologia, por exemplo, defende a teoria da seleção social. Diz que existe a ideia de que mantemos relações enquanto há proximidade, objetivos e identidade compartilhada. Quando esses elementos mudam, o vínculo pode se enfraquecer naturalmente. Assim, amizades não acabam necessariamente, elas se transformam. Eu sei que parece estranho que aquele amigo ou amiga que vivia na sua casa hoje você tenha com ele ou com ela encontros esporádicos nos shoppings da vida, e quando se encontram sempre dizem a mesma coisa. Vamos marcar alguma coisa. Contanto que essa transformação tenha acontecido sem mágoa e rancor, a vida segue. Mas existem aquelas amizades de ferro. Enferrujam, mas não quebram. Amigos forjados no fogo, que passam pelas transformações sem alterar a essência. São raríssimas, e se você tem uma dessas, não pode abrir mão. Porque essa o tempo não murcha. Muito pelo contrário, o tempo fortalece. Não significa necessariamente proximidade. Às vezes, geograficamente, são até inviáveis, mas nada parece deter aquela amizade. E aqui vão sete maneiras práticas de se manter amizade, com base nos livros de Modern Friendship, de Anna Goldfarb e Big Friendship. Vamos lá. 1. Comunique com intenção e regularidade. A comunicação é fundamental. Não apenas mandar um oi, mas iniciar conversas significativas e mostrar interesse real na vida do outro, mesmo com agendas cheias, envios ou check-ins consistentes ajudam a manter a proximidade. Invista tempo de qualidade. Amizades exigem investimento consciente de tempo e energia, encontrar momentos para estar presente, seja presencialmente ou virtualmente. Fortalece os vínculos e evita que eles esmoreçam com a distância ou falta de contato. Seja vulnerável e aberto. Amizades profundas acontecem quando as pessoas se permitem ser abertas e verdadeiras. Compartilhar sentimentos, inseguranças e conquistas reforma confiança e intimidade. Defina expectativas realistas. As autoras de Modern Friendship destacam que relações mudam com as fases da vida. Aceitar isso com flexibilidade e ajustar expectativas ajuda a prevenir frustrações e conflitos desnecessários. Celebre pequenas tradições, criar rituais, como encontros regulares, datas comemorativas ou até mensagens significativas. Sinaliza cuidado contínuo e cria memória compartilhada. Apoie nos momentos difíceis, estar disponíveis em tempo de crise, escutar sem julgar, escutar sem julgar, oferecer ajuda prática ou simplesmente estar presente, fortalece a confiança e mostra que a amizade é uma parceria real. Repare e renove quando necessário. Conflitos ou afastamentos não precisam ser o fim. Big friendship enfatiza que amizades verdadeiras sobrevivem a fases difíceis, quando há vontade de compreender o outro, reparar mal entendidos e investir novamente na relação. Uma dica extra: lembre que as amizades não são todas iguais. Algumas são profundas e exigem mais atenção. Outras são mais leves, mas ambas podem enriquecer a sua vida quando cultivadas com respeito e cuidado. Antes de encerrar esse episódio, eu quero te convidar a fazer uma pausa. Pense em alguém, um amigo, uma amiga, alguém que já esteve presente na sua vida de forma verdadeira. Amizade não é sobre estar junto o tempo todo, mas é sobre saber que existe um lugar seguro onde a gente pode voltar. Manter uma amizade exige intenção, exige cuidado, exige presença, mesmo quando a rotina aperta, mesmo quando a vida muda, mesmo quando o silêncio aparece. Amizades não acabam de repente. Elas se desgastam aos poucos, quando deixamos de ouvir, de perguntar, de demonstrar. Cultivar uma amizade é aceitar que o outro muda. Assim como nós mudamos, é entender que algumas fases pedem mais proximidade e outras pedem mais paciência. É aprender que nem sempre o amigo vai agir como esperamos, mas ainda assim pode agir com amor. Amizade também é conversa difícil, é saber pedir desculpa, é reconhecer quando erramos, é não deixar o orgulho falar mais alto do que o afeto. Relações verdadeiras não são perfeitas, elas são honestas. E talvez o mais importante, amizade é presença emocional, é comemorar as conquistas do outro sem inveja, é oferecer apoio nos dias difíceis, mesmo sem saber exatamente o que dizer. Às vezes, só de estar ali já é suficiente. Se tem algo que os anos nos ensinam é que a amizade não se sustenta sozinha, ela precisa ser regada com tempo, atenção e pequenas atitudes. Uma mensagem inesperada, um convite simples, um eu lembrei de você. Então, ao terminar esse episódio, fica o convite: cuide das suas amizades enquanto elas estão vivas, enquanto existe tempo, enquanto ainda dá para construir memórias novas. Não espere uma data especial, uma crise ou uma despedida para demonstrar o quanto alguém é importante, porque no fim das contas são as amizades que nos lembram quem somos, que nos seguram quando tudo balança, que fazem a vida ficar mais leve. Obrigado, gente, por compartilhar esse tempo comigo. Se esse episódio fez algum sentido pra você, compartilhe com alguém especial. E a gente, com certeza, se Deus quiser, se encontre no próximo episódio. Que Deus, o amigo que nunca vai te abandonar, possa te abençoar. Esse foi o seu podcast, o Pode Crê. Chegando a quase 5 mil downloads. Pode deixar, quando chegar o dia, faremos uma grande festa. Muito obrigado, meus amigos. Que Deus abençoe vocês.

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