Pode Crê

Dez Hábitos Brasileiros Normais Que Americanos Resistem

Clecio Almeida Season 2 Episode 38

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O que você chama de educação pode ser só costume local e o que você chama de “frieza” pode ser só uma regra de convivência diferente. A gente pega essas diferenças culturais entre Brasil e Estados Unidos e transforma em um mapa prático de choque cultural, daqueles que acontecem no elevador, na fila, no almoço do trabalho e até na consulta médica.

Primeiro, listamos 10 coisas que muitos americanos não toleram e que no Brasil passam batido: atraso aceitável, contato físico, puxar conversa com qualquer pessoa, barulho como parte da vida e o famoso jeitinho brasileiro, além de misturar trabalho com vida pessoal, almoçar “de verdade”, resolver tudo em cima da hora, flexibilizar filas e tomar vários banhos por dia. No meio disso, contamos histórias que mostram como o americano separa conflito profissional de rancor pessoal e como a leitura brasileira pode ser bem mais emotiva.

Depois, viramos o jogo e entramos no que brasileiros estranham muito nos EUA: interações mais frias, gorjeta obrigatória, sistema de saúde caro, comida percebida como sem tempero, pouca comida de rua, imposto fora do preço da etiqueta, cultura de processos, carpete por toda a casa, dependência total de carro e o silêncio das ruas. No fim, a mensagem é clara: entender a lógica cultural por trás desses hábitos reduz ruído, evita mal-entendidos e faz a experiência de viajar ou morar fora ser mais humana.

Se curtir, segue o Podcast Pode Crê, compartilha com alguém que vive entre culturas e deixa uma avaliação com o que mais te chocou: qual diferença você acha mais difícil de encarar?

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Boas-Vindas E A Regra Do Trabalho

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Olá pessoal, sejam muito bem-vindos a mais um episódio do seu podcast, o Podcast Pode Crê. Hoje a gente vai falar de um tema com as curiosidades entre Brasil e Estados Unidos. Aliás, em um dos meus episódios eu falo sobre essas diferenças, mas hoje eu gostaria de listar 10 coisas que os americanos não toleram, mas são super normais no Brasil. E depois o contrário: 10 coisas que os brasileiros estranham muito aqui nos Estados Unidos. Apesar de morarmos no mesmo hemisfério, brasileiros são muito diferentes dos americanos. Eu vou te dar um exemplo do que aconteceu comigo uma vez. Um dia eu estava em uma reunião de trabalho e a conversa na reunião foi ríspida, mas não agressiva, claro. Mas eu diria que houve uma desavença de opiniões bem fortes. Assim que terminou a reunião, entramos no elevador e a pessoa que havia discordado de mim veementemente perguntou onde iríamos almoçar. Eu pensei que fosse até uma ironia. A pessoa estava com zero rancor e eu percebi que o que é do trabalho fica no trabalho. Já o brasileiro é mais emotivo, leva rapidamente para o coração. Então, já pega o seu café, seu fone de ouvido e vamos embora para um passeio cultural cheio de curiosidades aqui no seu do nosso podcast. Podcast Pode Crer. Os americanos não suportam, mas é normal na cultura brasileira. Vamos lá. Número 1 - Atraso aceitável. Vamos começar com esse clássico: chegar atrasado no Brasil. Se você chega 10 ou 15 minutos depois, está tudo bem. Às vezes até esperado. Agora, nos Estados Unidos, se você marcou 6 horas, é 6 horas. Não 6h07, não 6h15, 6 horas. Eu tinha uma consulta médica às 10 da manhã aqui nos Estados Unidos. Cheguei às 10h15 da manhã e a recepcionista sem cerimônia disse: marque de novo pelo website. Se o americano disser que às 10 da manhã, então você tem que chegar às 9h45. Não estou exagerando. Pergunte para quem mora aqui. Aliás, eles até dizem que se o encontro é às 10h e você chegou às 9h45, então você chegou na hora certa. Se chegou às 10h, você está atrasado. Se chegou às 10h15, então você nem foi. Para muitos americanos, atraso é falta de respeito. Para o brasileiro, é só um trânsito. Número 2. Contato físico. Brasileiro encosta, dá tapinha nas costas, beija no rosto. Às vezes tudo isso em menos de 30 segundos. Americanos costumam manter mais distância. Se você chega abraçando alguém que acabou de conhecer, pode gerar um leve constrangimento. Uma coisa interessante que aconteceu comigo, por exemplo, foi quando eu fui ao Brasil e percebi que a maioria dos homens, todos andam sem camisa. Eu estou falando, claro, lá naquele calor de bangu. Inclusive dentro do supermercado. Eu perguntei pra minha mãe se andar sem camisa era obrigação, claro, brincando, porque eu era o único que estava de camisa. Até aí tudo bem. Mas quando encontrava meus amigos de infância e eles vinham me abraçar suados, eu não sabia onde colocava as minhas mãos, porque as costas deles estavam todas suadas. E não se esqueça do beijinho carioca. São três beijos. E o terceiro é pra casar. Olha só. Número 3, puxar conversa com qualquer pessoa. Fila, elevador, uber, supermercado. Brasileiro vê um ser humano e já começa a conversar. Já nos Estados Unidos, isso pode ser visto como invasivo. Tem gente que só quer comprar o pão em silêncio. Existe uma expressão nos Estados Unidos chamada small talk. São pequenas interações que fazemos com alguém que encontramos no elevador ou sentados em uma sala de espera. O ideal é que se fale das condições meteorológicas, mas não é assim como brasileiro, que fala da vida pessoal sem cerimônia. Número 4, barulho normal. No Brasil, música alta, cachorro latino, gente conversando, alto, TV ligada, vida acontecendo. Nos Estados Unidos, silêncio é ouro. Barulho demais, vizinho incomodado, possível reclamação ou até polícia. O som do silêncio custa caro. O famoso jeitinho brasileiro, esse é o número 5. Resolver tudo no improviso, negociar, adaptar regras. Americanos tendem a seguir regras de forma mais rígida. Aqui não há nenhuma crítica velada ao Brasil, porque o jeitinho às vezes até ajuda. Vou te dar um exemplo dramático. O médico Francisco Gregori Júnior estava operando um paciente, mas ele não conseguia controlar uma hemorragia de forma alguma. Ele teve uma ideia, pediu alguém para comprar uma supercola no posto de gasolina em frente ao Hospital Evangélico de Londrina, lá no Paraná. O nome da paciente era Joana Messas e ela viveu mais de 14 anos e faleceu aos 82 anos. O coração dela, sim, foi colado com uma supercola com superbonder. Imagine agora se isso fosse nos Estados Unidos. Se dependesse do médico colar o coração com supercola, esse paciente estaria morto. Nos Estados Unidos, o jeitinho pode parecer falta de organização ou quebra de protocolo. E nos Estados Unidos isso é inadmissível. 6. Misturar trabalho com vida pessoal. No Brasil, colega de trabalho vira amigo, vai para churrasco, conhece a família. Nos Estados Unidos, trabalho é trabalho. Claro que há amizade, mas geralmente existe uma barreira muito grande para os amigos de trabalho. 7. Almoço completo. No Brasil, arroz, feijão, carne, salada, prato cheio. O americano muitas vezes almoça um sanduíche em 10 minutos na mesa do trabalho, até mesmo dirigindo. Quando vem um prato brasileiro, parece um banquete de domingo. Tem o caso, por exemplo, de um amigo meu que era professor de uma escola pública. Ele levou peixe com arroz para comer no seu almoço. Esquantou no micro-ondas do refeitório dos professores. O cheiro tomou todo o refeitório. Houve uma reclamação formal e ele ficou proibido de levar comida de verdade para comer na hora do almoço. Peixe, então, nem pensar. Número 8. Resolver tudo em cima da hora. Brasileiro, vamos ver isso depois. Americano, agenda com duas semanas de antecedência. Planejamento é quase uma religião. Tudo é anotado no calendário, sem exagero, nada de última hora é normalmente aceitável. Número 9. No Brasil, a flexibilidade em filas. Sim, lá no Brasil as filas, ao invés de indiana, parece um aglomerado de pessoas. História verídica, gente. Eu vi, ninguém me contou. Acordávamos bem cedinhos para fazer uma fila para entrar no ônibus. E claro, quanto mais cedo, mais possibilidade de ir sentado no trajeto que ia até o centro do rio. Melhor do que ficar em pé por quase ou mais uma hora dentro do ônibus. Algumas pessoas acordavam cedo, iam para a fila, colocavam uma pedra e voltavam para casa para tomar café. Quando estava próximo do ônibus chegar, ele chegava, tirava a pedra e assumia o lugar da mesma. Isso mesmo que você ouviu. A pedra tomava conta do lugar dele na fila. Nos Estados Unidos, fila é sagrada. Furar fila, crime social gravíssimo. 10. Banho várias vezes ao dia. No Brasil, especialmente no calor, dois ou três banhos por dia é normal. Nos Estados Unidos, principalmente no inverno, nem todo mundo tem esse hábito. E isso pode ser um choque real e olfativo. Um dos orgulhos do brasileiro é a cultura da seidade. E precisamos realmente comemorar tudo isso. Agora que a gente viu que deixa os americanos meio perdidos no Brasil, vamos inverter o jogo? O que os brasileiros não suportam nos Estados Unidos? Número 1, frieza nas interações. Brasileiros sentem falta do calor humano, pouco toque, pouca emoção aparente. Às vezes parece que todo mundo está meio assim neutro. Número 2, gorjeta obrigatória. Você vai ao restaurante, come, paga e ainda precisa deixar 15 a 25%. Para o brasileiro, isso já não deveria estar no preço embutido, mas saiba de uma coisa: não deixar gorjeta é crime social grave. Número 3, sistema de saúde caro. Uma consulta simples pode custar muita grana. Uma ambulância, então, nem se fala. Aqui todos têm seguro particular. O governo jamais pagaria a conta de hospital para você. Tem que sair do bolso de alguém. Pode ser uma ONG ou algo parecido. Brasileiros estranham muito isso, não ter algo acessível como o SUS no Brasil. 4. A comida para o brasileiro aqui nos Estados Unidos não tem tempero. Isso é uma polêmica. Muitos brasileiros acham a comida americana sem graça, sentem falta doalho, cebola, tempero de verdade. Mas eu preciso ser justo na verdade. O sal e a pimenta estão na mesa e você acrescenta ao seu gosto. 5. Pouca comida de rua. Cadê o pastel? Cadê a esfirra? Cadê a coxinha? Cadê aquele cachorro-quente raiz? Nos Estados Unidos até existe, mas é menos comum e geralmente mais caro. No Brasil temos o cachorro-quente com salsicha ou linguiça, ovo de codorna, milho, ervilha, bacon, batata palha, queijo ralado, azeitona e por aí vai. O cachorro-quente americano é o pão e a salsicha. Número 6, o preço que não é preço. Você vê 10 dólares na etiqueta e paga 10,80 no caixa, imposto não incluído. Isso causa uma confusão instantânea para o brasileiro. Número 7, a cultura de processos. Sim, nos Estados Unidos, processar alguém é muito mais comum. Caiu, processo. Escorregou, processo. Olhou torto, talvez processo. 8. Carpete na casa inteira. Chão com carpete em tudo, sala, quarto, corredor. Brasileiros olham e pensam como limpa isso tudo. E por falar em limpeza, interessante notar como o brasileiro lava a sua varanda com água sanitária, sabão e pó, esfregando tudo vigorosamente. Aqui nos Estados Unidos, tudo no spray, sem muito alarde. 9. Dependência total de carro. Em muitas cidades, sem carro você não faz absolutamente nada. Brasileiros estranham essa falta de mobilidade a pé. Outros que estranham muito são os europeus, que amam as caminhadas, como os franceses, os gregos, mas aqui você literalmente vai de carro, mesmo se o trabalho ficar a cinco minutos da sua casa andando. 10. Silêncio demais, ruas vazias. Pouco barulho, pouca gente na rua. Para quem vem de um país vibrante como o Brasil, isso pode parecer meio solitário e até depressivo. É impressionante como vemos por aqui campos de futebol vazios durante a semana, quadras e parques vazios, com certeza associado à temperatura que é baixa na maior parte do ano. No fim das contas, o mais interessante de tudo é perceber que o que é normal para uma cultura pode ser estranho para outra. E tá tudo bem. Essas diferenças podem até ser certas ou erradas, mas também na verdade pode ser uma forma diferente de viver, de se expressar e enxergar o mundo. E convenhamos, são essas diferenças que tornam viajar, conhecer pessoas e explorar culturas, algo tão incrível. Eu estive na Grécia e fomos fazer um passeio de barco com a minha esposa e meu filho. O Guia nos levou em um local para mergulharmos. Ele disse com essas palavras, pessoas velhas desse lado e pessoas mais jovens do outro lado. Eu fiquei do lado dos mais jovens. Ele olhou para mim e disse, tem certeza? Eu pensei, se eu pular e me afogar, eu acho que ele me mata. Cultura. O que pode ser grosseiro para uma cultura em outra é algo bem normal. Alguém foi em Portugal, por exemplo, e perguntou ao garçom se tinha café no restaurante. Ele disse que sim. Passou dez minutos, a pessoa interpelou o garçom e disse, Não vai trazer o café? E o garçom disse, Tu perguntaste se tinha café? Não disses que queria um! É a cultura do literal. Cultura, cultura, cultura. Gente, obrigado por ouvir o nosso episódio e não se esqueça de fazer o download. Um grande abraço aos nossos ouvintes lá do Vietnã. Olha só, unindo-se aos 34 países que ouvem o nosso podcast. Que honra, muito obrigado por sua audiência. Espero estar aqui de volta no próximo episódio, se Deus assim me permitir. Esse foi o seu, o nosso podcast. Pode crer.

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